Estudiosos da desertificação defendem que o enfrentamento desse fenômeno passa, necessariamente, pela valorização da Caatinga e dos povos que vivem nesse bioma. Para eles, esses elementos são recursos imprescindíveis na busca por soluções sustentáveis para o semiárido brasileiro.




Essa é a avaliação do ambientalista Josimar Araújo de Oliveira, conhecido como Mestre Josimar, que há mais de duas décadas desenvolve ações voltadas à recuperação ambiental no Seridó potiguar. Segundo ele, o trabalho com a faveleira — planta nativa e de múltiplos usos para os povos da Caatinga — teve início em 1999.
“Já temos conhecimento de que, com apenas um ano de idade, a faveleira consegue sobreviver mesmo quando é plantada em períodos de pouca ou nenhuma chuva”, explica o ambientalista.
De acordo com Josimar, o foco principal das ações é a restauração de áreas tradicionalmente utilizadas para a criação de gado. No dia 13 de janeiro de 2026, durante uma visita a uma dessas áreas, onde foram plantadas cerca de 200 mudas de faveleira em 2020, ele decidiu observar de perto os resultados do projeto.
“No início, existia apenas uma touceira de xique-xique no local”, relata.
A surpresa veio ao constatar que o xique-xique passou a se espalhar espontaneamente no entorno das faveleiras plantadas. “Esse achado está de acordo com os princípios da Restauração Ecológica, reconhecidos internacionalmente”, afirma Josimar.
O ambientalista também destaca a importância do xique-xique em períodos prolongados de estiagem. “Nesse momento de seca, ele se consolida como um dos principais pilares da alimentação do rebanho em muitas propriedades rurais”, conclui Josimar Araújo de Oliveira, natural de São José do Seridó, no Rio Grande do Norte.