Espio pelas frestas da janela
E rio com imagens de paisagens
No cio. Um sol sonolento e frio,
Espreguiça-se em lençois
De nuvens aéreas. Os orvalhos,
Espalhados, tecem-se como fios
Persas e se fazem estrelas
Amarelas. Ajusto o vento bravio
E espio para o outro lado do rio.
Vejo um fio de fumaça que passa,
Seguido de outros que esvoaçam,
Batendo asas de arrepios
E desejos matinais. São fios
Escorregadios que passeiam
Pelas margens como pavios vadios.
Desperto do transe com a caneta
Clamando algumas palavras
Que se achavam dormindo.
Inicia-se o desjejum poético.
É poesia na manhã de domingo.
👆🏿Há na tela que ilustra o texto, o oratório. A sombrinha. O urinol. A bengala. A quarta com água. O suporte da medicação. A lamparina. A janela aberta para o nascente (cultura judaica – o Seridó sofreu muito influência).
É a lembrançados antepassados (ela olhando a fotografia)!
Gilberto Costa
Imagem: Gilberto Costa