Oficinas do Pró-Sertão se preparam para aumento de demanda neste ano

Oficinas do Pró-Sertão se preparam para aumento de demanda neste ano

A indústria têxtil do Rio Grande do Norte pode ganhar, pelo menos, 640 novos postos de trabalho em 2023, no âmbito do Programa Pró-Sertão, segundo a Associação Seridoense de Confecções (Asconf).

A estimativa se dá em razão do anúncio do Grupo Guararapes, na terça-feira (10), de centralizar a produção no Estado. Ao todo, entre empregos diretos e indiretos – neste último caso, que envolvem as fábricas do Pró-Sertão – a expectativa é de que 2 mil empregos sejam gerados com os esforços do Grupo em concentrar a produção no RN. De início, segundo informou a Guararapes, serão abertas 200 novas vagas, na lavanderia da unidade, em Extremoz.

No âmbito do Pró-Sertão, foram produzidas 6,3 milhões de peças em 2022, de acordo com o Sebrae e a projeção  para 2023, que conta com perspectivas de crescimento, depende da demanda de mercado, assim como a possibilidade de abertura de novas oficinas de costura, que hoje somam 116.

A presidente da Asconf, Marionete Medeiros, diz que as perspectivas de criação de novos postos de trabalhos são muito animadoras, especialmente porque as confecções funcionam como motor de transformação e desenvolvimento para as regiões em que estão instaladas.

 “Onde antigamente existia apenas uma bodega, hoje tem um supermercado. A maioria dos nossos costureiros tem moto, consegue construir ou financiar a casa própria e os jovens conseguem pagar uma faculdade. É uma transformação em virtude das engrenagens desenvolvidas pelas oficinas que só quem vê, acredita”, pontua Marionete Medeiros. Ela tem uma confecção em São José do Seridó, cidade que soma, no total,  16 oficinas têxteis. “No Município, temos uma empregabilidade de cerca de 600 pessoas nas facções e isso representa, praticamente, 15% da nossa população”, pontua.

Os reflexos positivos do Pró-Sertão são corroborados também por Zeca Melo, superintendente do Sebrae, entidade que coordena o Programa. Para ele, um ‘círculo virtuoso’ se cria nas regiões onde as pequenas fábricas estão inseridas.  “São recursos que entram em comunidades muito carentes, então, a transformação do ponto de vista de qualidade de vida via aumento de renda é muito grande, porque as pessoas que participam de uma oficina de costura veem o próprio poder de consumo crescer e isso melhora a qualidade do comércio”, destaca.

“É um círculo virtuoso”, completa Zeca Melo. O secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Jaime Calado, também ressaltou a modificação no cenário econômico de algumas cidades com a chegada do Pró-Sertão. “Há lugares, como São José do Seridó, onde há um reflexo muito forte. Lá o programa se tornou a principal mola de geração de emprego do município”, afirma o titular da Sedec.

De acordo com a pasta, a segunda fase do Programa, iniciada em 2021, prevê a formação de 2 mil pessoas em 40 municípios (50 em cada cidade). A meta é chegar a todas as regiões do Estado. No ano passado, conforme a Sedec, as formações aconteceram em Touros, Santo Antônio e Ceará Mirim. Para o primeiro semestre de 2023, a previsão é que as capacitações, que acontecem por meio do Senai, ocorram em Acari, Campo Redondo, Cruzeta, Currais Novos, Parelhas e São Miguel.

“Como principal instituição formadora de profissionais para o Programa, temos acompanhado esse movimento de perto. O Pró-Sertão permitiu que populações de diversos municípios, antes dependentes de trabalhos informais, da agricultura de subsistência e do Fundo de Participação dos Municípios [FPM], tivessem acesso ao emprego formal e à qualificação. Isso é uma grande transformação”, ressalta o diretor regional do Senai, Rodrigo Mello.

TRIBUNA DO NORTE

CARLOS FELIPE

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