A Polícia Federal disse ao STF que não tem outra sala para manter Jair Bolsonaro preso e que também não consegue resolver a reclamação dele sobre o barulho do ar-condicionado.
A resposta foi enviada nesta quarta-feira,7, depois de um pedido da defesa do ex-presidente. Os advogados reclamam que o ruído do equipamento estaria atrapalhando o sono de Bolsonaro e prejudicando a saúde dele.
Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes tinha dado cinco dias para a PF se manifestar. Já na sexta passada, a defesa pediu providências, como ajuste do ar-condicionado, isolamento acústico ou até mudança de layout da sala.
Mas, segundo a Polícia Federal, nada disso é possível. O delegado responsável explicou que a sala onde Bolsonaro está preso fica muito perto da área técnica do sistema de climatização do prédio. Por isso, sempre há barulho no local.
Ainda de acordo com a PF, qualquer tentativa de resolver o problema exigiria uma obra grande e até a paralisação do ar-condicionado da superintendência, o que prejudicaria o funcionamento do órgão.
Bolsonaro voltou à Superintendência da PF em Brasília depois de sair para fazer exames em um hospital. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que ele teve uma crise enquanto dormia, caiu e bateu a cabeça em um móvel.
A defesa diz que, apesar de Bolsonaro estar em uma sala de Estado-Maior, o ambiente não oferece condições mínimas de tranquilidade, descanso e preservação da saúde.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele está preso na PF desde novembro, quando danificou a tornozeleira eletrônica e perdeu o direito à prisão domiciliar.
A sala onde ele está fica no térreo do prédio e tem cama, banheiro privativo, mesa de trabalho, televisão, frigobar e ar-condicionado.
O local já foi usado para manter presos outros políticos e autoridades, como Valdemar Costa Neto, Delcídio do Amaral, José Roberto Arruda e o ex-juiz João Carlos Rocha Mattos.
No dia 1º de janeiro, Bolsonaro voltou à PF depois de passar oito dias internado para tratar de uma hérnia e crises de soluço. Na mesma data, Alexandre de Moraes negou o pedido de prisão domiciliar.
Segundo o ministro, não houve piora no estado de saúde do ex-presidente, mas sim melhora, como apontaram os próprios médicos de Bolsonaro.