O Brasil subiu cinco degraus e ultrapassou os Estados Unidos pela primeira vez no ranking mundial de liberdade de imprensa. O dado consta no relatório da RSF (Repórteres Sem Fronteiras) publicado hoje (30).
Atualmente em 52º lugar, o país vê os norte-americanos derraparem para a 64ª colocação. Desde 2022, os brasileiros saltaram 58 posições, afastando-se da zona considerada de “situação difícil”.
A RSF aponta que o movimento nacional contraria a tendência de repressão na América Latina. O relatório avalia indicadores econômicos, políticos e de segurança em 180 nações.
“Apesar de algumas recuperações nos últimos anos, como a do Brasil, a história recente da liberdade de imprensa no continente em geral é marcada por duas tendências: o aumento da violência cometida por agentes do crime organizado e a violência proveniente de forças políticas”, diz o texto.
Já os Estados Unidos enfrentam uma crise de confiança e o uso da máquina pública contra veículos de comunicação. A RSF afirma que “os Estados Unidos de Donald Trump estão saindo completamente do controle”.
Globalmente, o cenário é o pior em 25 anos, com apenas 1% da população vivendo em países com situação “boa”. A Noruega lidera o topo, enquanto a Eritreia amarga a última posição do levantamento.
O exercício profissional corre riscos elevados, cercado por retóricas hostis e leis que sufocam o direito à informação. A organização alerta para o enfraquecimento das garantias democráticas em escala planetária.
“O próprio jornalismo está morrendo, sufocado pela retórica política hostil aos repórteres, enfraquecido por uma economia midiática em dificuldades e pressionado pela instrumentalização de leis contra a imprensa”, conclui o relatório.