Projeto de ninhos artificiais fortalece retorno do canário-da-terra em São José do Seridó

O projeto de instalação de ninhos artificiais para incentivar a reprodução do canário-da-terra avança no município de São José do Seridó e ganha um novo impulso. O empresário, geógrafo e professor José Medeiros, conhecido como Dedé de Badô, anunciou que uma nova remessa de ninhos já está pronta e disponível para distribuição.

A iniciativa surgiu após Dedé observar o reaparecimento da espécie na cidade, fato que o motivou a agir para garantir a preservação e o fortalecimento da população dessas aves. Sensibilizado com o retorno do canário-da-terra — que quase desapareceu da região no início da década de 1980 devido à ação humana — ele mobilizou secretarias municipais, empresários e colaboradores locais para colocar o projeto em prática.

Os ninhos são produzidos artesanalmente a partir de cabaças e instalados em pontos estratégicos das zonas urbana e rural, criando condições favoráveis para a reprodução das aves em ambiente natural. A proposta é oferecer abrigo seguro e estimular o crescimento sustentável da espécie na região.

O projeto conta com o apoio de parceiros como o empresário Paulo Márcio de Medeiros, do Supermercado Pyetro (Rede Seridó), Edmilson Alves, da Rede Sim de Material de Construção, além da empresa Duas Rodas Motos. Também participam da iniciativa o artesão Giva Medeiros e o colaborador Fernando Luiz, que atua diretamente na distribuição e instalação dos ninhos ao lado de Dedé.

Com a ampliação das ações, a expectativa é que o canário-da-terra volte a ocupar, de forma mais consistente, o ecossistema local, fortalecendo a biodiversidade e resgatando um símbolo natural da região do Seridó.

O canário-da-terra (Sicalis flaveola) é uma das aves mais conhecidas e admiradas do Brasil, especialmente pelo seu canto forte e melodioso. Abaixo estão algumas informações importantes que ajudam a entender por que iniciativas como a de São José do Seridó são tão relevantes:

Essa espécie é amplamente distribuída pela América do Sul, ocorrendo em países como Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai.
No Brasil, é muito comum em áreas abertas, como:

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Campos e áreas rurais
  • Regiões urbanas com vegetação

Ele se adapta bem à presença humana, o que facilita projetos de reintrodução.

Características

  • Cor predominante: amarelo vivo (principalmente nos machos)
  • Fêmeas: tons mais discretos, com mistura de marrom e amarelo
  • Tamanho: cerca de 13 a 14 cm
  • Canto: um dos mais marcantes entre aves brasileiras

Costuma fazer ninhos em cavidades: buracos em árvores, telhados e estruturas artificiais Pode usar cabaças, caixas-ninho e outros abrigos — exatamente o foco do projeto em São José do Seridó A fêmea põe de 2 a 5 ovos por ninhada

Alimentação

  • Principalmente sementes (capins e gramíneas)
  • Também consome pequenos insetos, especialmente na época de reprodução

Apesar de ainda ser relativamente comum, o canário-da-terra já sofreu forte redução em várias regiões por causa de:

  • Captura ilegal para criação em gaiolas
  • Perda de habitat
  • Comércio clandestino de aves

Na sua importância ecológica destaca-se:

  • Atua na dispersão de sementes
  • Ajuda no equilíbrio dos ecossistemas
  • É considerado um indicador ambiental em áreas abertas

O canário-da-terra é tão popular que muitas pessoas o confundem com o “canário-belga” (doméstico), mas são espécies diferentes — o brasileiro é silvestre e protegido por lei.

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